Tocofobia e Saúde Mental: Explorando o medo excessivo de gravidez e do parto em pessoas com útero
DOI:
https://doi.org/10.24863/rcp.v42i1.679Resumo
A sexualidade humana é um campo de estudo multifacetado e essencial para compreender o comportamento humano. Pesquisas nesse contexto contribuem para a prevenção e a promoção da saúde mental. Entre as condições relevantes, destaca-se a tocofobia, que pode ser primária, medo excessivo de engravidar, ou secundária, medo intenso do parto. Ambas afetam significativamente a qualidade de vida e o bem-estar. Este estudo teve como objetivo analisar as implicações da tocofobia primária e secundária na saúde mental de pessoas com útero. A metodologia adotada foi revisão bibliográfica integrativa qualitativa, considerando publicações dos últimos onze anos nas bases de dados BVS e SciELO. Foram analisados 40 artigos, dos quais 21 atenderam aos critérios de inclusão. A análise de conteúdo, baseada em Bardin, orientou a organização e análise dos dados a partir de categorias temáticas. Os resultados revelaram que a tocofobia está associada a traumas, desinformação, experiências negativas anteriores e pressões sociais relacionadas à maternidade. Entre os impactos observados, estão evitação sexual, ansiedade, transtornos de estresse pós-traumático e complicações obstétricas. A pesquisa apontou que o tema é subnotificado, pois a tocofobia não está incluída nos principais manuais diagnósticos. A discussão destacou a influência das normas culturais na idealização da maternidade, contribuindo para o estigma e o sofrimento psicológico dos indivíduos afetados. Conclui-se que a tocofobia é uma condição de relevância clínica e social, demandando maior reconhecimento acadêmico e clínico. Estudos futuros são recomendados para aprofundar estratégias de manejo e promover uma abordagem mais integrativa.