O “teto de vidro” no Poder Judiciário: gênero e desigualdades na trajetória profissional
Resumo
Este artigo analisa como os marcadores sociais das diferenças — especialmente o gênero, mas também raça, classe e sexualidade — condicionam o acesso e a progressão nas carreiras do Poder Judiciário brasileiro, com ênfase na magistratura. Apesar de sua centralidade na garantia de direitos e na manutenção do Estado Democrático de Direito, o Judiciário permanece marcado por desigualdades estruturais que reproduzem dinâmicas sociais excludentes. A pesquisa adota abordagem qualitativa e interdisciplinar, articulando revisão bibliográfica, análise documental de relatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O referencial teórico baseia-se em autoras como Joan Scott (1995), Judith Butler (2003), Kimberlé Crenshaw (1989) e Heleieth Saffioti (1976) com destaque para a interseccionalidade na compreensão das trajetórias profissionais. Os resultados indicam que, embora haja aumento da participação feminina na magistratura, sua presença diminui nos cargos de maior prestígio, revelando o “teto de vidro” que limita a ascensão de mulheres e de grupos socialmente vulnerabilizados. O cenário é ainda mais desigual para mulheres negras, pobres e LBTQIAPN+, que enfrentam barreiras múltiplas decorrentes do racismo estrutural, da homofobia, do classismo e de estereótipos de gênero. Mesmo com avanços institucionais, como a Resolução nº 255/2018 do CNJ, persistem obstáculos culturais e organizacionais. Conclui-se pela necessidade de políticas mais efetivas e interseccionais para promover equidade e diversidade no Poder Judiciário.